Câmara aprova novo arcabouço fiscal: o que isso significa para a economia brasileira na prática?

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (22) um novo conjunto de diretrizes fiscais, projetado para equilibrar o orçamento público e estimular o crescimento econômico, aguardando agora a sanção presidencial.

Em uma votação esmagadora de 379 a 64, a Câmara dos Deputados do Brasil deu luz verde a um novo conjunto de diretrizes fiscais. A iniciativa, liderada pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e apoiada por especialistas de diversos ministérios, como Planejamento e Gestão, visa a uma gestão fiscal mais flexível e responsável.

Substituição do teto de gastos

O novo marco fiscal vem para substituir a regra do teto de gastos, implementada em 2016 durante o mandato do ex-presidente Michel Temer. Essa regra, que limitava o aumento dos gastos federais à taxa de inflação, foi criticada por ser excessivamente restritiva, levando à aprovação de sete emendas constitucionais para permitir aumentos de despesas.

O novo sistema permitirá um crescimento das despesas públicas entre 0,6% e 2,5% acima da inflação. Isso é projetado para ser um mecanismo anticíclico, permitindo ao governo aumentar os gastos em tempos de recessão econômica e restringi-los durante períodos de crescimento robusto.

O crescimento das despesas será vinculado ao aumento da receita do governo, permitindo gastos adicionais equivalentes a 70% do aumento real da arrecadação no ano anterior. Além disso, o novo marco estabelece metas fiscais anuais, com o objetivo de eliminar o déficit fiscal até 2024 e alcançar um superávit de até 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Investimento público 

O novo marco fiscal também estabelece um piso para investimentos públicos, definido em 0,6% do PIB para 2024, o que equivale a cerca de R$ 60 bilhões. Isso representa uma mudança significativa, já que as restrições anteriores reduziram a capacidade do governo de investir em áreas críticas como infraestrutura e educação.

Consequências do descumprimento

Se as metas fiscais não forem atingidas, várias medidas de ajuste serão acionadas, incluindo a proibição de criar novos cargos ou funções que aumentem as despesas e a restrição de conceder ou ampliar incentivos fiscais. Em casos extremos, o descumprimento contínuo das metas pode levar a sanções mais severas, incluindo a possibilidade de impeachment do presidente.

O novo marco fiscal representa uma mudança significativa na forma como o Brasil gerencia suas finanças públicas. Ele oferece uma abordagem mais flexível e responsável, permitindo ao governo responder de forma mais eficaz às flutuações econômicas, enquanto mantém um forte compromisso com a responsabilidade fiscal.

Com este novo sistema, o Brasil espera atrair mais investimentos e criar um ambiente econômico mais estável, o que, por sua vez, permitirá ao Banco Central prosseguir com a redução das taxas de juros, estimulando o crescimento e a criação de empregos.

Receita Federal divulga liberação de consulta ao 4º lote de restituição do IRPF 2023

A Receita Federal anunciou que, a partir das 10h da próxima quinta-feira (24), estará disponível para consulta o quarto lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2023.

Os pagamentos estão programados para serem efetuados no dia 31 de agosto, uma semana após a consulta, como é de praxe. As restituições serão creditadas nas contas bancárias informadas durante a declaração do Imposto de Renda.

Este lote beneficiará aproximadamente 6,1 milhões de contribuintes, com um valor total de R$ 7,5 bilhões em restituições. A maioria dos contemplados (5,7 milhões) são contribuintes não prioritários que enviaram suas declarações até o último dia permitido, 29 de maio. Além disso, o lote inclui restituições de anos fiscais anteriores.

Grupos beneficiados:

  • Idosos acima de 80 anos: 11.960;
  • Contribuintes entre 60 e 79 anos: 86.427;
  • Contribuintes com deficiência ou moléstia grave: 9.065;
  • Profissionais da educação: 30.453;
  • Contribuintes com prioridade via declaração pré-preenchida ou PIX: 219.288;
  • Contribuintes não prioritários: 5.761.117.

Como consultar?

A consulta pode ser feita através do site oficial da Receita Federal. Os contribuintes devem acessar a seção “Meu Imposto de Renda” e clicar em “Consultar a Restituição”. Além disso, é possível verificar a situação completa da declaração e eventuais pendências através do portal e-CAC.

MEIs: Receita Federal divulga novas orientações e funções para emissão da NFS-e

A Receita Federal divulgou, na última sexta-feira (18), um comunicado com algumas novidades para a emissão da Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e) de padrão nacional pelos Microempreendedores Individuais (MEIs), que passam a cumprir essa obrigação em 1º de setembro deste ano.

Segundo a nota, a primeira novidade é a permissão para que o MEI faça o login via integração com a plataforma GOV.BR. Essa funcionalidade, disponível nas duas versões de emissores (tanto na versão Web quanto para a versão Mobile), permite que o responsável legal de um CNPJ MEI que possua os selos Prata ou Ouro do GOV.BR possa emitir suas NFS-e sem a necessidade de criação de uma senha com preenchimento de formulário. Dessa forma, todos os MEI passam a contar com mais uma opção de acesso para utilizarem os emissores públicos da NFS-e.

Adicionalmente, no emissor Web, foi criada a possibilidade de uma emissão simplificada da NFS-e pelos MEI. Essa nova opção facilita o procedimento de emissão, que poderá ser feito via formulário a ser preenchido com apenas três informações, semelhante ao formulário da versão Mobile.

Ainda em relação ao emissor Web, destaca-se a evolução no sistema para que outros portes de prestadores de serviço, não enquadrados como MEI, possam também realizar as suas emissões, desde que o município de estabelecimento esteja com convênio ativo na plataforma.

Em relação ao emissor Mobile, foi desenvolvida também nova funcionalidade para permitir a geração do Documento Auxiliar da NFS-e (DANFSE) em formato PDF, com a possibilidade de compartilhamento do documento.

Todo MEI deve emitir a NFS-e?

De acordo com a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 169/22, a partir de 1º de setembro de 2023, todos os Microempreendedores Individuais prestadores de serviços estarão obrigados a emitir as notas fiscais de serviço no padrão nacional nas prestações de serviços a pessoas jurídicas.

overlay-cleverEssas entregas fazem parte dos esforços da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil para simplificar e facilitar o cumprimento de obrigações tributárias acessórias, em respeito ao contribuinte e ao princípio da eficiência da Administração Pública.

Com informações gov.br

Empréstimo consignado: teto de juros e taxa do cartão serão reduzidos

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou nesta quinta-feira (17) uma medida para diminuir o limite máximo dos jurosaplicados em empréstimos consignados destinados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) .

Com isso, o teto de juros atualmente em 1,97% mensais será reduzido para 1,91%. No mesmo sentido, a taxa associada ao cartão de crédito consignado também foi reduzida de 2,89% para 2,83% por mês.

O Ministério da Previdência justificou essa ação devido a diminuição da Selic, que é a taxa de juros básica da economia. No início deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por um corte de 0,5%, estabelecendo a taxa em 13,25% ao ano, e há previsões de mais reduções até o fim do ano.

A proposta foi aceita com 14 votos favoráveis, havendo apenas um voto contrário, proveniente do representante da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF).

Em resposta à decisão do Copom, tanto o Banco do Brasil quanto a Caixa Econômica divulgaram a redução das taxas de juros dos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS, estabelecendo-as em 1,77% e 1,70% por mês, respectivamente.

Em fevereiro, uma ação do ministro da Previdência, Carlos Lupi, para diminuir o teto dos juros dos empréstimos consignados de 2,14% para 1,70% ao mês no CNPS, sem consentimento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ocasionou a suspensão desse tipo de crédito por parte das instituições financeiras, inclusive as públicas.

Quase um mês depois, por intervenção da Casa Civil e do Ministério da Fazenda, esse impasse foi resolvido, com a definição do limite máximo dos juros em 1,97% ao mês.

Na ocasião, Lupi compartilhou que discutiu o assunto com outros membros do governo. Ele considerou a nova taxa como razoável.

“Conversei muito com nossa equipe técnica e com membros do governo. O Presidente Lula, desde sua posse, vem defendendo a redução dos juros. Com a diminuição da Selic na última reunião do Copom, estamos seguindo essa tendência de redução nos empréstimos consignados para nossos beneficiários. Acredito que estamos agindo com sensatez”.

Auxílio Brasil 2023 reformula empréstimo consignado

O Empréstimo Auxílio Brasil 2023, uma modalidade de crédito consignado, passou por mudanças significativas para o próximo ano. O programa, que tem como objetivo auxiliar os beneficiários do antigo Auxílio Brasil, atual Bolsa Família, foi ajustado para atender melhor às necessidades dos cidadãos e garantir uma gestão mais eficiente dos recursos.

O empréstimo funciona como um crédito consignado, disponível para aqueles que estão inseridos no programa Bolsa FamíliaAo solicitar o empréstimo, o beneficiário deve definir o prazo de pagamento. No entanto, é essencial estar ciente de que haverá juros sobre o valor emprestado. O valor do benefício recebido mensalmente será ajustado, pois a parcela do empréstimo será descontada diretamente dele.

Mudanças no consignado do Auxílio Brasil

O Ministério do Desenvolvimento Social anunciou as novas regras, que já estão em vigor. Agora, os bancos interessados em oferecer o consignado devem seguir os novos parâmetros.

Entre as mudanças, destaca-se a taxa de juros máxima de 2,5% ao mês, uma margem consignável de 5% ao mês e um limite de até 6 parcelas consecutivas para pagamento.

Quem pode solicitar?

Para ser elegível ao empréstimo, o beneficiário deve:

  • Estar recebendo o Auxílio Brasil por mais de 90 dias;
  • Não estar sob regra de emancipação;
  • Estar em situação regular junto ao Ministério da Cidadania.

Como e onde solicitar o empréstimo?

O empréstimo pode ser solicitado presencialmente em agências da Caixa, unidades lotéricas ou correspondentes Caixa.

Para aqueles que preferem a comodidade do ambiente digital, o processo pode ser realizado através do aplicativo Caixa Tem através do seguinte passo a passo:

  • Vá para opção empréstimo;
  • Siga para simular e contratar;
  • Vá para consignado.

Bancos participantes

Diversos bancos estão oferecendo o empréstimo do Auxílio Brasil,são eles:

  • Caixa Econômica Federal;
  • Crefisa;
  • Banco Pan;
  • Banco Safra;
  • Agibank;
  • Facta Financeira;
  • Banco Daycoval.

Prazo de entrega da DITR já começou; veja quem deve entregar

Começou nesta segunda-feira (14) o período de entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural (DITR)  referente ao ano de 2023. O prazo limite para a apresentação do documento é até o dia 29 de setembro.

Esta obrigação tributária deve ser cumprida por pessoas físicas ou jurídicas que têm a posse, de forma permanente ou temporária, de imóveis rurais. Isso inclui áreas destinadas à produção agropecuária, extrativa vegetal, agroindustrial ou à exploração de recursos naturais, desde que estejam localizadas fora das áreas urbanas.

A DITR precisa ser encaminhada utilizando o Programa Gerador da Declaração do ITR (Programa ITR 2023), o qual está disponível no site oficial da Receita Federal. O Ministério da Fazenda esclarece que também é possível fazer a transmissão da declaração utilizando o programa Receitanet.

Em caso de atraso na entrega, está prevista a aplicação de uma multa de, no mínimo, R$ 50 ou 1% do valor do imposto a cada mês de atraso, calculada com base no calendário.

Pagamento ITR

A Receita destaca que o valor mínimo do imposto a ser pago é R$ 10. Para montantes inferiores a R$ 100, o pagamento deve ser feito em parcela única até o dia 29 de setembro de 2023. Caso o valor seja superior a R$ 100, é possível realizar o pagamento em até quatro parcelas, desde que cada parcela não seja inferior a R$ 50.

A primeira parcela necessita ser quitada até o dia 29 de setembro, enquanto as demais devem ser pagas até o último dia útil de cada mês, sendo acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic mais 1%.

Pix Crédito: presidente do BC anuncia criação da nova função

Na última sexta-feira (11), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, anunciou que está nos planos da autarquia o lançamento de mais uma função do Pix, seu sistema de transferência, forma de pagamento mais utilizada entre os brasileiros.

Depois de lançar o Pix Troco, Pix Saque, Pix Agendado, Pix Parcelado, agora será a vez do Pix Crédito. Com a viabilização da oferta de crédito para os consumidores via Pix, os usuários não precisarão mais dos cartões com essa função, afirmou o presidente do BC.

“Você vai juntar o Pix e outros produtos, lembrando que você vai poder começar a poder fazer crédito no Pix, então, em algum momento, no futuro, você não precisará ter cartão de crédito, poderá fazer tudo no Pix” comentou durante evento promovido pela Associação Comercial do Paraná, na tarde desta sexta-feira.

Campos Neto declarou que o BC planeja criar essa nova modalidade como “alternativa” para o consumidor no acesso à crédito.

O presidente do BC ainda compartilhou que levou um “puxão de orelha” por ter apresentado a alternativa de acabar com o rotativo do cartão de crédito durante audiência no Senado na quinta-feira, proposta que ainda não estava fechada. Mas o governo já anunciou ter batido o martelo para o fim da modalidade, ressaltando que a medida, sozinha, não resolve o juro alto

Bancos começam a testar o Drex no Brasil; saiba como vai funcionar o projeto-piloto do real digital

Nesta semana o Banco do Brasil, Caixa Econômica e outras instituições financeiras começam a testar o Drex – nova moeda digital do país – que deve estar disponível para a população entre 2024 e 2025.

Considerada como um “parente” do Pix, o Drex é uma moeda CBDC (Central Bank Digital Currency em inglês), que significa, em tradução livre, moeda digital do banco central. Ou seja, no país, é regulamentada pelo Banco Central (BC).

Na semana passada, os bancos Sicoob, Sicredi, Ailos, Cresol e Unicred já emitiram os primeiros tokens do real digital e os testes consistiram na simulação da conversão do saldo da reserva bancária de uma instituição financeira para a sua carteira do real digital.

Segundo o Banco do Brasil, a instituição instalou o nó validador que permite iniciar o projeto-piloto da moeda. Com isso, a partir de agora, será possível criar os tokens que vão permitir a simulação de transações com outros bancos e instituições para conferir se a viabilidade do uso da moeda digital.

Já a Caixa informou que participará dos testes por meio de um consórcio entre o banco estatal, a Microsoft e a Elo. No projeto-piloto, será testada a configuração de infraestrutura e conexão, emissão da nova moeda, token do real digital e emissão de títulos federais por meio desses tokens.

A presidente da Caixa, Maria Rita Serrano, afirma que a participação do banco estatal é importante por causa do amplo atendimento da instituição em todo o país, com presença do banco em 99% dos municípios brasileiros por meio de 26,9 mil pontos de atendimento.

overlay-cleverAlém disso, a Caixa é o maior banco da América Latina, com mais de 150 milhões de clientes e R$ 1,6 trilhão em ativos administrados, e o principal parceiro do governo federal em programas sociais, de transferência de renda e de inclusão financeira.

Objetivo do projeto-piloto

Neste primeiro momento de testes, o Banco do Brasil quer saber se o Drex pode ser negociado em grande escala, se as operações entre instituições serão possíveis, além de garantia de segurança e privacidade no uso da moeda virtual.

Essa fase de testes deve durar durante todo o segundo semestre deste ano e conta com 16 consórcios compostos por instituições financeiras e empresas do mercado. Em 2024, segundo calendário do Banco Central, deve haver ampliação do projeto até que as transações passem a ser liberadas entre o final do ano que vem e o início de 2025.

Como vai funcionar

O funcionamento das transações em real digital será por meio de tokens. A ideia é que o Drex seja uma moeda utilizada em atacado, para transações de grande porte, dando mais segurança às operações, e também no varejo. Será possível, por exemplo, comprar um imóvel utilizando o real digital, com pagamento instantâneo.

Vantagens do Drex

O Drex deve beneficiar, entre outras áreas, o mercado de investimentos, segundo a vice-presidente de negócios digitais e tecnologia do Banco do Brasil, Marisa Reghini. De acordo com a especialista, a nova tecnologia é uma possibilidade de melhorar os serviços bancários e ampliar o acesso à bancarização da população.

“Esse é um caso de uso que tem potencial para trazer comodidade aos clientes, melhorar a eficiência da operação, reduzir custos e ampliar o mercado”, diz.

O Drex está sendo criado e será operado pelo Banco Central. A expectativa da instituição é que o real digital se torne tão confiável quanto o Pix, que tem batido recordes de utilização. Segundo balanço da instituição, na última sexta-feira (4), o sistema de pagamentos bateu recorde, com o registro de 142,4 milhões de transações em um único dia. O recorde anterior havia sido registrado no dia 7 de julho, quando 134,8 milhões de transações foram realizadas.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que tem participado das discussões sobre o real digital, a moeda vai funcionar como versão digital de cédulas e moedas emitidas em espécie, representando modernização nas transações financeiras.

A federação, que fez parte dos estudos técnicos, afirma que, na fase inicial, o real digital será mais usado por pessoas jurídicas, não chegando em larga escala a pessoas físicas, mercado que ainda vai se desenvolver. “Está sendo construída a infraestrutura que permita a tokenização desses depósitos e a partir daí, o cliente terá um leque de oportunidades para outros produtos e serviços no sistema financeiro”, diz nota da Febraban.

A advogada e sócia da equipe de mercado financeiro e de capitais do b/luz advogados,  Luciana Simões, afirma que não há diferença entre Drex e o real atual, valendo a mesma coisa.

“Não existe diferença entre o real e o Drex, sendo este apenas a representação digital da moeda física. Conforme explicado pelo BCB, o Drex poderá ser trocado por papel-moeda e vice-versa, e o acesso a ela será feito por meio de carteiras virtuais em bancos e outras instituições financeiras e de pagamento”, acrescenta a especialista.

Com informações Folha de S Paulo

NFS-e padrão nacional passa a valer a partir de setembro para MEIs

Microempreendedores Individuais (MEIs) em todo o Brasil estão se preparando para uma nova etapa em suas operações, pois a partir do dia 1º de setembro de 2023, entra em vigor a obrigatoriedade da emissão da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) no padrão nacional.

Essa decisão veio após uma prorrogação do prazo, que inicialmente estava programado para abril deste ano. A ampliação do prazo foi definida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) em março, em resposta à falta de adesão dos municípios à nova norma. Na época, apenas 256 entidades, incluindo 18 capitais e 238 municípios, haviam aderido à NFS-e padrão nacional, de acordo com informações do próprio governo.

A mudança significa que os MEIs que fornecem serviços para pessoas jurídicas têm pouco mais de um mês para se adaptarem e começarem a emitir suas Notas Fiscais de Serviço no formato padronizado em todo o país.

Os microempreendedores podem iniciar sua familiarização com a ferramenta por meio do site oficial do governo dedicado à NFS-e, onde a plataforma já está disponível. É importante destacar que, embora as notas já estejam sendo emitidas, o uso obrigatório ainda não se aplica durante esse período.

Além do portal, os MEIs também podem optar pelo aplicativo NFS-e Mobile, disponível para download em dispositivos Android e iOS. Independentemente do convênio municipal, os prestadores de serviços MEIs já têm a possibilidade de emitir suas NFS-e seguindo o padrão nacional.

O governo, em parceria com o Sebrae, lançou um Ebook para auxiliar os MEIs nesse processo de adaptação, fornecendo mais informações sobre a NFS-e e seu processo de emissão. O Ebook está disponível gratuitamente para acesso.

No início deste ano, o Governo Federal lançou o Portal da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica, uma plataforma unificada para as notas emitidas por empreendedores de todo o país. Com a nova medida, os MEIs prestadores de serviço de todo o território nacional serão obrigados a aderir ao padrão nacional para a emissão de notas ao atender pessoas jurídicas a partir de setembro de 2023.

Atualmente, 503 cidades já aderiram à padronização, incluindo 18 capitais. Esse número representa cerca de 60% do total de emissões de NFS-e do país e 55% da arrecadação nacional de serviços, de acordo com dados do governo federal.

Até agora, a emissão de NFS-e ocorria dentro dos portais digitais das prefeituras, cada uma com seu próprio processo. A nova plataforma centralizada é um avanço significativo para os empreendedores, eliminando a necessidade de verificar as particularidades de emissão em cada município.

Confira um guia passo a passo para a emissão de notas fiscais no padrão nacional:

  1. Acesse o Portal da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica;
  2. Faça o login;
  3. Clique no ícone de emitir nota (localizado abaixo de “Acesso Rápido”);
  4. Escolha entre “Emissão Completa” ou “Emissão Simplificada” (a segunda opção é para serviços já cadastrados);
  5. Preencha as informações solicitadas;
  6. Clique em “Emitir NFS-e”.

Nova moeda digital do Brasil deve baratear transações, avaliam especialistas

O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (7) o nome da primeira moeda digital do país, Drex. O termo representa a Digital Real X, que será emitida pelo Banco Central em conjunto com as moedas físicas já em circulação.

O BC projeta que a população terá acesso à primeira moeda digital do Brasil, o Drex, até o final de 2024.

No entanto, a princípio, a nova moeda digital não estará disponível para empréstimos por parte das instituições financeiras a terceiros. Atualmente, a autoridade monetária está conduzindo testes preliminares relacionados à moeda digital.

Especialistas já afirmam que a inovação deve facilitar e até baratear o dia a dia dos brasileiros.

De acordo com o CEO da C&M Software e especialista em liquidação interbancária, Orli Machado, que colabora com o Banco Central no desenvolvimento do real digital, “o real digital oferece a capacidade de transações off-line, não requerendo conexão com o banco em tempo real.”

Para ele, o Drex deve ser utilizado principalmente para transações com valores mais elevados.

overlay-cleverNão há absolutamente nenhuma proibição quanto a realizar transações mínimas com ele. No entanto, na minha perspectiva, quando se trata de transações de valores modestos e intermediários, o método de pagamento assume uma relevância maior do que o próprio montante. Para transações de grande valor, é evidente que você deseja contar com segurança, evitando riscos de falhas na liquidação, inadimplência e complicações. Por isso, em teoria, a escolha mais adequada seria efetuar a transação utilizando o Drex”, explica.

Além disso, segundo o economista André Galhardo, a moeda digital tem o potencial de reduzir os custos das transações financeiras, o que vai gerar uma movimentação nos bancos tradicionais.

“Os bancos viviam de inflação até o Plano Real. A partir disso, tiveram que se reinventar e muitos deles quebraram a partir do próprio nascimento do Real. Não estou dizendo que os bancos, muito mais bem consolidados do que estavam na década de 1990, passarão por dificuldades financeiras, longe disso. Só acho que, de fato, como o DOC e a TED hoje constituem como grande fonte de receita para os bancos, eles terão que se reinventar e criar novos mecanismos”, conclui.