Senado trabalha para viabilizar o Drex, moeda digital brasileira

O Drex, moeda digital brasileira, pode ser lançado em 2025. Atualmente, o projeto está na sua segunda fase piloto, com a participação de instituições do sistema financeiro, para testar as soluções de privacidade e garantir o sigilo aos usuários. No Senado, parlamentares já se movimentam para viabilizar algumas das mudanças que devem surgir com a moeda, como os contratos inteligentes. Mas, afinal, o que é o Drex?

Antes chamada de real digital, a moeda ganhou o novo nome em 2023, quando foram iniciados os testes em ambiente restrito, chamados de Piloto Drex. No nome da nova moeda, as letras “d” e “r” fazem referência ao real digital, o “e” vem de eletrônico e o “x” foi usado para trazer a ideia de conexão, associada à tecnologia utilizada. Ainda não há data prevista para o lançamento do Drex, que depende do fim da fase de testes.

A moeda terá o mesmo valor do real tradicional, será regulada pelo Banco Central (BC) e será emitida apenas na plataforma do Drex. A nova moeda, segundo a explicação do BC, vai permitir vários tipos de transações financeiras seguras com ativos digitais. Esses serviços financeiros inteligentes serão liquidados pelos bancos dentro da plataforma do Drex. Para ter acesso à plataforma, o cidadão precisará de um intermediário financeiro autorizado, como um banco, que fará a transferência do dinheiro depositado em conta para a carteira digital.

O real digital será “tokenizado”, ou seja, será atrelado a tokens (representações digitais de um ativo) e registrado em uma rede DLT, infraestrutura tecnológica com protocolos que permitem acesso simultâneo, validação e atualização de registros em um banco de dados em rede. Esse tipo de tecnologia é equivalente à do blockchain, usada nas criptomoedas, com o agrupamento de um conjunto de informações que se conectam por meio de criptografia. Assim, transações financeiras e outras operações podem ser feitas de forma segura.

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Mas, se já existe o Pix e se o real impresso já é pouco usado por grande parte dos brasileiros, qual será a novidade com a criação do Drex? O coordenador da iniciativa do BC, Fabio Araújo, explicou que o Pix foi criado para democratizar o acesso a serviços de pagamento, enquanto o Drex está sendo desenvolvido para democratizar o acesso a serviços financeiros.

— A diferença é que você viabiliza vários negócios que são impossíveis em outro ambiente. Quando você reduz custos e aumenta a eficiência, você viabiliza novos negócios, novos participantes, você democratiza o acesso da população. Ao fim e ao cabo é isto que o Banco Central procura fazer com a plataforma do Drex: oferecer uma plataforma de serviços financeiros que vão além dos serviços de pagamento — disse Fabio Araújo no Senado, durante audiência pública promovida em 2024.

Entre os exemplos de aplicações do Drex citados por ele, em vídeo realizado pelo BC, estão investimentos, acesso a crédito e também os chamados contratos inteligentes (por exemplo: compra e venda de imóveis e automóveis). Para ele, a moeda no formato digital é a pedra fundamental de uma plataforma de pagamentos inteligentes com foco na prestação de serviços financeiros.

Contratos

Os contratos inteligentes já estão sendo discutidos no Senado. O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) apresentou uma emenda à PEC 65/2023 — proposta de emenda à Constituição que concede autonomia orçamentária e financeira ao Banco Central — para permitir que o BC crie e regule novos produtos financeiros, ainda que isso afete os cartórios. A intenção do senador é viabilizar os contratos inteligentes que podem ser criados com o Drex.

Nesse tipo de transação, seria possível fazer trocas automáticas de recursos, coordenadas de forma algorítmica. Muitas vezes, em negócios como a compra de um carro, por exemplo, há o receio de se transferir a propriedade sem que o dinheiro tenha sido recebido, ou de pagar ao vendedor sem que a propriedade do carro tenha sido transferida. Com a nova moeda, será possível condicionar uma operação à outra, com a transferência da titularidade do bem e do valor pago por ele ocorrendo de forma simultânea.

— Esperamos que, com o Drex, haja um crescimento no uso de contratos inteligentes que tragam mais segurança, agilidade e economia para diversos tipos de transações, como a compra e venda de imóveis e outros bens. O Drex também vai impulsionar novas formas de serviços financeiros, novas empresas e novos modelos de negócios — disse Oriovisto em entrevista à Agência Senado.

Para ele, o Senado não pode deixar que alterações legais limitem o potencial de inovação de algo que ainda nem existe. A criação de novos produtos bancários, na visão dele, pode requerer novos modelos de registro, distintos do modelo atual — e, por isso, é preciso garantir a liberdade necessária à criação e à regulação de novos produtos bancários e financeiros.

A emenda de Oriovisto foi acatada pelo relator da PEC 65/2023, senador Plínio Valério (PSDB-AM), em dezembro. A PEC está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Projeto

Também está em análise no Senado um projeto de lei complementar, da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), que regulamenta a criação, a distribuição e o uso da moeda digital (PLP 80/2023).

De acordo com a senadora, a intenção da proposta é atualizar a legislação para permitir a emissão de moeda digital pelo Banco Central — que depende de autorização do Legislativo —, estabelecendo princípios para sua operação e segurança.

Ao apresentar o projeto, em 2023, Soraya citou as discussões no Banco Central para a criação do Drex, que na época ainda era chamado de real digital. Para ela, as CBDCs (Central Bank Digital Currencies), moedas digitais emitidas por bancos centrais, podem ajudar na integração econômica internacional e aumentar a eficiência do sistema monetário brasileiro. Mas a senadora destacou que é preciso regular alguns aspectos sobre esse tipo de moeda.

“Considerando a relevância do crédito para o desenvolvimento da economia, precisamos cuidar da possibilidade de alavancagem pelas instituições públicas e privadas para evitarmos a redução de oferta, o que poderia impactar as taxas de juros e prejudicar o crescimento da economia. Por todo o exposto, apresentamos este projeto de lei complementar à apreciação dos nobres colegas senadores, para garantir a devida segurança jurídica que a iniciativa requer”, argumenta ela na justificativa do projeto.

Para discutir a iniciativa do Banco Central e o projeto de Soraya, a Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD)promoveu, em julho de 2024, uma audiência pública com representantes do BC, do Ministério da Fazenda e de bancos, além de especialistas em tecnologia e em criptomoedas. Ao abrir o debate, o senador Carlos Portinho (PL-RJ), relator do projeto, afirmou que a possibilidade de emissão de moeda digital coloca o Brasil na vanguarda mundial.

— A criação do Drex não é apenas um passo adiante na desburocratização do nosso sistema financeiro, é uma oportunidade de promover justiça tributária, inclusão financeira e eficiência econômica, ao mesmo tempo em que fortalece a integridade do nosso sistema contra práticas ilícitas. Esse projeto representa um futuro mais justo, inclusivo e próspero para o Brasil — declarou o senador.

Sigilo

Para Portinho, a rastreabilidade digital fará com que haja maior precisão no monitoramento de transações e no combate a atividades ilícitas (como a lavagem de dinheiro e a sonegação de impostos). Apesar desse ponto positivo, ele ressalta a preocupação com a adequação da nova moeda à Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, para garantir o sigilo das operações e a privacidade dos usuários do Drex.

André Silva Jardim, que representou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na audiência pública da CCDD, afirmou que atualmente os bancos já têm meios de garantir o sigilo bancário, e que isso também vai funcionar com o Drex. Ele informou que a Febraban tem um acordo de cooperação técnica com o Banco Central e que técnicos dos bancos trabalham em conjunto com o BC no desenvolvimento do Drex — inclusive no que diz respeito às questões de segurança.

O pesquisador Daniel de Paiva Gomes, conselheiro da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), ressaltou nessa audiência que muitos brasileiros têm dúvidas sobre a possibilidade de a moeda digital dar ao Estado a capacidade de rastrear o dinheiro das pessoas. Mas, segundo ele, a privacidade dos usuários será preservada. Para Gomes, o acesso a informações e o bloqueio de recursos, por exemplo, continuarão dependendo de autorização judicial, como ocorre atualmente.

— É muito importante reforçar que essas mecânicas já existem no sistema tradicional. (…) O Brasil, sendo um Estado democrático de direito, que convive com o devido processo legal, nunca desaguaria numa situação de um confisco indeterminado sem o devido processo legal prévio — ressaltou.

João Aragão, especialista em Tecnologia e Inovação Aplicadas a Serviços Financeiros da Microsoft, explicou que, com as análises criptográficas, é possível provar que a informação existe e que é confiável, com visibilidade apenas para quem deve ter as informações, como a Justiça, por exemplo. Isso seria possível, segundo ele, pela construção em camadas desse tipo de sistema.

— Assim, quem está naquela transação pode ver, mas quem está ao redor daquela transação não vai ter aquela visibilidade. (…) A camada 1 seria a camada do Banco Central, que está governando; a camada 2 também poderia ser aquela em que toda e qualquer transação que deva ser privada deveria estar, que é uma camada de privacidade. Então, hoje, essa privacidade das informações no atacado e no varejo é factível — declarou Aragão.

O diretor-presidente da ABcripto, Bernardo Cavalcanti Srur, ressaltou que o Drex é “uma importante ferramenta de transição para a economia digital”.

Cronograma

De acordo com o Banco Central, a iniciativa para a criação da moeda digital brasileira tem como principal ação, neste momento, o desenvolvimento da plataforma piloto Drex. A primeira fase do piloto, já encerrada, teve foco nos testes de soluções de privacidade. O relatório dessa fase está em produção e deve ser publicado em breve.

A segunda fase do piloto, que deve terminar em meados de 2025, explora a interação das soluções de privacidade com os modelos de negócio propostos pelos consórcios participantes. Além dos atuais participantes, o BC abriu a possibilidade para a entrada de novas instituições. O período para o envio de propostas se encerrou em novembro e, agora, as propostas apresentadas estão passando por um processo de seleção para incorporação ao piloto.

Ainda não há data para o lançamento da nova moeda porque, de acordo com o BC, a evolução do calendário depende da garantia da privacidade do cidadão e do sigilo das transações. Somente depois disso serão iniciados os testes com usuários dos serviços iniciais do Drex.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Como fica o abono salarial, CadÚnico e seguro-desemprego com o novo salário mínimo?

Para o ano de 2015 o valor do salário mínimo subiu para R$ 1.518, representando uma alta de 7,5%. O novo valor entrou em vigor no dia 1º de janeiro e impacta vários benefícios e serviços, entre eles:

  • Abono salarial do PIS/Pasep;
  • Cadastro Único (CadÚnico);
  • Seguro-desemprego.

Com relação ao abono salarial do Programa de Integração Social (PIS) /Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), ele é um benefício anual pago aos trabalhadores do setor público e privado que recebem, em média, até dois salários mínimos por mês com carteira assinada.

Agora, com a entrada em vigor do novo salário mínimo, o valor do abono poderá variar de R$ 126,50 a R$ 1.518, de acordo com a quantidade de meses trabalhados.

Também com a alta do piso nacional, o CadÚnico será outro programa impactado, uma vez que os valores que permitem a inscrição devem subir para:

  • Renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 759);
  • Renda mensal familiar total de até três salários mínimos (R$ 4.554);
  • Renda maior que três salários mínimos (R$ 4.554), desde que o cadastramento esteja vinculado à inclusão em programas sociais nas três esferas do governo.

O valor do seguro-desemprego também sofrerá reajuste. O valor recebido pelo trabalhador com carteira assinada sem justa causa depende da média salarial dos últimos três meses anteriores à demissão, porém o valor da parcela não pode ser inferior ao mínimo vigente.

Com informações do g1 Economia

Simples Nacional: novas regras da reforma tributária exigirão adaptação dos empresários do regime

Com a aprovação da regulamentação da Reforma Tributária, 2025 promete ser um ano crucial para as empresas enquadradas no Simples Nacional. Apesar de não sofrerem alterações diretas imediatas, as novas regras têm o potencial de transformar significativamente a dinâmica tributária no Brasil.

Para manter sua competitividade, micro e pequenas empresas do regime precisarão adotar estratégias específicas de planejamento e adequação.

Impactos das novas regras

A reforma tributária introduziu tributos como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) , que afetam a relação entre as empresas do Simples Nacional e seus clientes de outros regimes.

Os empresários enquadrados no Simples Nacional poderão escolher, por enquanto, entre manter o modelo antigo de recolhimento de impostos ou migrar para os impostos da reforma tributária e recolher o IBS e CBS.

Outro aspecto que deve impactar os empresários do Simples Nacional são os créditos tributários. Hoje, essas empresas geram créditos tributários aos seus compradores, o que pode ser reduzido com as mudanças no sistema. Segundo especialistas, esse cenário pode desestimular parcerias e enfraquecer a competitividade do segmento​

O fim da possibilidade de geração de créditos tributários pelo Simples Nacional é um dos principais desafios a serem enfrentados em 2025. Com a previsão de ajustes adicionais, como a inclusão opcional do IVA Dual em 2027, será necessário revisar contratos e avaliar alternativas tributárias, como a migração para outros regimes tributários.

O ano de 2025 será um divisor de águas para as empresas do Simples Nacional. Mais do que nunca, planejamento estratégico e acompanhamento contínuo das regulamentações serão indispensáveis para aproveitar as oportunidades e mitigar os impactos da reforma tributária. Empresários têm até o dia 31 de janeiro para regularizar sua adesão ao regime ou optar por alternativas mais alinhadas às suas realidades tributárias.

Salário mínimo em 2025 é de R$ 1.518,00

O valor do salário mínimo será reajustado para R$ 1.518,00 a partir de 1º de janeiro de 2025, conforme decreto publicado nesta segunda-feira (30/12). O novo valor representa um aumento de R$ 106,00 (7,5%) em relação ao salário vigente de R$ 1.412,00.

O reajuste foi calculado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos últimos 12 meses, que registrou alta de 4,84%, acrescido de 2,5% referente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Essa metodologia segue a política de valorização do salário mínimo aprovada pelo Congresso Nacional e retomada em 2023.

Impacto Social e Econômico

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 59 milhões de brasileiros têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo, incluindo 19 milhões de aposentados e pensionistas. Além disso, o novo valor é utilizado como base para o cálculo de diversos benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial e o seguro-desemprego.

Principais Pontos do Decreto

  • Valor mensal: R$ 1.518,00
  • Valor diário: R$ 50,60
  • Valor horário: R$ 6,90

O reajuste foi firmado pelo Decreto 12.342 assinado em 30 de dezembro de 2024.

Em 2025 economia brasileira dependerá do compromisso fiscal

A economia do Brasil encerra 2024 com resultados surpreendentemente positivos, contrariando projeções mais conservadoras. Este, inclusive, é o segundo ano consecutivo em que os economistas subestimam o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o grande destaque ficou mesmo por conta do mercado de trabalho, com aumentos relevantes na renda média, na ocupação e na redução da taxa de desemprego, agora a menor da série histórica.

Contudo, toda essa bonança opera no limite. A inflação acelerou no segundo semestre, aproximando-se do teto da meta. No cenário externo, o Brasil registrou alta expressiva nas importações, enquanto as exportações recuaram marginalmente. Além disso, a Indústria alcançou a capacidade instalada máxima. Esses sinais indicam uma economia que ultrapassou o pleno emprego, com pressões inflacionárias crescentes.

Essa situação é resultado de uma política fiscal expansionista nos últimos dois anos. Ainda que tenha havido a promoção do crescimento do PIB, também intensificou-se a demanda, contribuindo para o aumento da inflação. Como resposta, uma política monetária mais contracionista, via aumento de juros, tornou-se necessária. Essa combinação tende a restringir o consumo e o investimento privados, prejudicando o crescimento econômico no longo prazo.

O desequilíbrio fiscal também eleva os custos de empréstimos governamentais, reduzindo recursos disponíveis para o setor privado e desestimulando investimentos. No curto prazo, porém, os gastos públicos criam uma ilusão de prosperidade, incentivada pela dinâmica política e pela falta de foco no ajuste fiscal. Essa postura caracteriza-se como populista, ignorando os impactos negativos a longo prazo.

Nos últimos dois anos, a relação entre dívida e PIB cresceu cerca de 10%, enquanto a inflação acumulada ultrapassou o teto da meta. Esses indicadores reforçam a urgência de conter o descontrole fiscal, que tem prejudicado a estabilidade econômica.

Para 2025, há dois cenários prováveis. No primeiro, o governo adota um ajuste fiscal rigoroso. Mesmo que isso possa levar a uma desaceleração econômica inicial, cria condições para o aumento do investimento privado, aliviando as pressões inflacionárias e valorizando o câmbio. Esse equilíbrio pode permitir a redução dos juros, pavimentando o caminho para uma retomada mais sustentável em 2026.

Já no segundo cenário, o governo mantém uma política fiscal expansionista, agravando o desequilíbrio macroeconômico. A desvalorização cambial e a inflação elevada pressionariam ainda mais a taxa de juros, afetando negativamente o poder de compra e a renda da população. Essa abordagem poderia resultar em um choque econômico severo, com consequências desastrosas para o crescimento e a estabilidade.

Adicionalmente, o cenário externo pode complicar ainda mais a situação. A política comercial agressiva dos Estados Unidos, como as ameaças de Donald Trump de taxar exportações brasileiras, representa um risco importante, reforçando a necessidade de ajustes internos para fortalecer a resiliência econômica.

Em outras palavras, mais do que nunca, o futuro da economia brasileira depende da habilidade do governo de implementar uma política fiscal responsável. A escolha entre austeridade e continuidade da despesa excessiva definirá os rumos nacionais nos próximos anos.

MEI terá mudanças em 2025: saiba como empreendedores devem se adaptar às novas regras

A partir de 1º de abril de 2025, o cenário para quem é microempreendedor individual (MEI) promete mudanças.

Diante disso, é fundamental que os microempresários já comecem a ficar mais atentos para se adaptar ao que vem pela frente.

O regime foi criado em 2008 e de lá para cá muitas coisas mudaram e suas vantagens permitiram que trabalhadores informais pudessem legalizar suas atividades, conseguindo acesso a benefícios previdenciários e pagamento de impostos de forma simplificada.

Atualmente, o regime MEI é um dos mais adotados no Brasil, representando sete em cada dez empresas abertas no país.

Voltando às mudanças, no mês de abril do ano que vem, os MEIs que emitem Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) ou Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) terão uma nova exigência: a inclusão do Código de Regime Tributário (CRT) “4 – Simples Nacional – Microempreendedor Individual – MEI”.

Essa identificação foi implementada pela Receita Federal e pretende tornar mais precisa a distinção das operações do MEI no ano que vem em relação aos outros regimes tributários, garantindo maior controle fiscal e transparência das transações.

Mas as mudanças não param por aí, haverá também a troca da “denegação” por “rejeição” na Nota Fiscal, conforme o Ajuste Sinief 43/2023, trazendo mais agilidade nos processos.

Uma outra atualização importante que também deve acontecer a partir de 2025 é nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs) aplicáveis ao MEI.

Esses novos códigos e categorias serão usados para classificar a natureza das operações comerciais feitas pelo MEI e, assim como as mudanças citadas anteriormente, essa também valerá a partir de abril de 2025.

Diante dessas mudanças, será exigida uma maior atenção dos microempreendedores na hora de emitir as notas fiscais, mas, ao mesmo tempo, isso facilitará a fiscalização e evitará problemas com a Receita. Assim, confira essas dicas para já adaptar o seu negócio para 2025:

  • Atualize seu sistema de emissão de notas fiscais;
  • Acompanhe as atualizações da Receita Federal;
  • Treine sua equipe para que todos estejam alinhados às novas regras;
  • Procure ajuda de um contador ou consulte órgão de apoio ao empreendedorismo;
  • Fique atento aos prazos e faça adaptações necessárias o quanto antes.

Confira as principais obrigações contábeis de fim de ano

Mais do que apenas cuidar da regularidade fiscal, o contador é o responsável por garantir que a empresa encerre o ano de forma organizada, com todas as contas em dia e uma visão clara de sua saúde financeira.

Vejamos então as principais responsabilidades do fim de ano na contabilidade e quais as obrigações contábeis mais importantes.

Por que o fechamento contábil anual é tão importante?

No final do ano, empresas enfrentam uma série de demandas contábeis que precisam ser cumpridas dentro de prazos rigorosos. O fechamento anual é uma oportunidade para:

-Identificar inconsistências financeiras;

-Cumprir exigências legais;

-Planejamento para o próximo anos.

Principais etapas do fechamento anual

O processo exige atenção e envolve diversas etapas, como:

-Conferência de movimentações financeiras: Todas as entradas e saídas devem ser revisadas para garantir a precisão dos registros.

-Organização de documentos contábeis: Isso inclui notas fiscais, recibos, extratos bancários e comprovantes de despesas.

-Cálculo de impostos: A apuração correta dos tributos devidos é essencial para evitar problemas com o Fisco.

-Elaboração de relatórios financeiros: Documentos como a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e o balanço patrimonial devem ser preparados para analisar o desempenho financeiro.

Quais as principais obrigações contábeis de fim de ano?

O fim do ano traz consigo uma série de obrigações contábeis que precisam ser cumpridas pelas empresas. Esse período é marcado por prazos apertados e uma lista de responsabilidades essenciais para encerrar o ciclo financeiro de maneira correta. Entre as tarefas mais importantes estão o pagamento do 13º salário e a organização das férias coletivas.

Pagamento do 13º Salário

Uma das principais obrigações do período é o pagamento do 13º salário, um direito garantido pela legislação trabalhista brasileira. Ele deve ter seu pagamento em duas parcelas:

Primeira parcela: Até 29 de novembro de 2024.

Segunda parcela: Até 20 de dezembro de 2024.

O contador desempenha um papel crucial nesse processo, calculando corretamente os valores com base na remuneração de cada colaborador e garantindo que os encargos sejam registrados nos demonstrativos contábeis. Além disso, ele verifica se todos os impostos relacionados ao 13º estão sendo recolhidos dentro dos prazos estabelecidos.

Férias Coletivas

Outro ponto que exige atenção no fim do ano são as férias coletivas. Muitas empresas optam por concedê-las como forma de alinhar o período de descanso dos colaboradores às festas de fim de ano ou à baixa demanda de mercado em determinados setores.

Nesse caso, o contador é essencial para:

-Garantir o cumprimento da legislação: As férias coletivas devem seguir as regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo a comunicação prévia aos órgãos competentes e aos funcionários.

-Realizar o cálculo dos valores que devem: Ele assegura que o pagamento das férias e do adicional de 1/3 ocorram corretamente.

Documentos Financeiros Essenciais

No final do ano, a organização financeira de uma empresa passa, inevitavelmente, pela produção e análise de documentos contábeis fundamentais. Esses relatórios não são apenas exigências legais, mas ferramentas indispensáveis para avaliar a saúde financeira e o desempenho do negócio ao longo do ano. Entre os mais importantes estão a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), o balanço patrimonial e a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA).

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

A DRE é um dos relatórios mais relevantes no encerramento contábil. Ela resume todas as operações financeiras realizadas ao longo do ano, detalhando receitas, despesas, custos e impostos. O principal objetivo da DRE é evidenciar se a empresa obteve lucro ou prejuízo no período.

Por que é importante?

-Auxilia na tomada de decisões estratégicas.

-Serve como base para o cálculo de tributos.

-Ajuda a identificar áreas que demandam ajustes ou otimizações.

Balanço Patrimonial

O balanço patrimonial é um retrato da situação financeira da empresa em um determinado momento. Ele lista todos os ativos (bens e direitos), passivos (obrigações) e o patrimônio líquido, permitindo uma visão completa do equilíbrio financeiro do negócio.

Por que é indispensável?

-Permite avaliar a capacidade de endividamento da empresa.

-É essencial para apresentar aos investidores ou instituições financeiras.

-Identifica possíveis desequilíbrios financeiros que precisam de correção.

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)

A DLPA mostra as mudanças no patrimônio líquido da empresa ao longo do ano, como distribuição de lucros, retenção de resultados ou cobertura de prejuízos acumulados. Esse documento depende diretamente das informações fornecidas pela DRE e pelo balanço patrimonial.

-Garante transparência na gestão financeira.

-Mostra aos sócios ou acionistas como os resultados foram geridos.

-Auxilia na definição de estratégias para utilização do lucro acumulado.

Organização e o papel do contador

Esses documentos vão além de simples obrigações, são ferramentas importantes para o sucesso do negócio.

No entanto, para que tudo esteja correto, é preciso muita precisão e conhecimento técnico. Por isso, o contador tem um papel essencial, reunindo, organizando e analisando as informações para garantir que os relatórios estejam ok e realmente úteis para a empresa.

Após as obrigações contábeis de fim de ano, é hora de planejar o futuro financeiro da empresa. Esse processo é fundamental para antecipar desafios, otimizar recursos e definir estratégias alinhadas aos objetivos do negócio.

-Use os relatórios financeiros para identificar acertos e pontos de melhoria.

-Estabeleça objetivos realistas e alinhados à capacidade financeira.

-Detalhe receitas, despesas e investimentos prioritários.

-Acompanhe o desempenho e ajuste conforme necessário.

Veja os possíveis impactos da extinção da DCTF em 2025 para as empresas

Neste mês de dezembro foi noticiado que a partir de janeiro de 2025 o sistema brasileiro passará por mudanças com a substituição da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) pela DCTFWeb.

O objetivo principal dessa substituição é trazer modernidade no cumprimento das obrigações fiscais, tornando os processos mais automatizados, seguros e eficientes.

Apesar disso, a extinção da DCTF pode trazer grandes impactos para as empresas, sendo necessário recorrer ao auxílio de profissionais que as ajudem no compliance, evitando descumprimentos que gerem multas e demais penalidades.

Conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 2237/24, a DCTFWeb será expandida para abranger tributos com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuições e demais débitos.

Seu Módulo Integrado de Tributos (MIT) irá facilitar a inclusão desses novos débitos, trazendo mais segurança e confiabilidade na declaração.

Pode-se ainda dizer que mudanças também estão previstas e entre elas está o prazo de entrega, que foi unificado para o dia 25 do mês subsequente ao fato gerador, permitindo a emissão antes da transmissão.

overlay-cleverAssim como dito anteriormente, as empresas deverão contar com a ajuda de profissionais nessa nova realidade de 2025.

Esses profissionais qualificados poderão ajudar os negócios a ajustarem seus processos internos e capacitar suas equipes para atender às novas exigências, já que a integração das plataformas digitais demandará maior organização e consistência nas informações fiscais, além de aumentar a rastreabilidade dos dados.

Um outro ponto importante é que as empresas devem fazer sua parte nesse sentido, se preparando, com antecedência, para que tenham uma melhor posição a fim de cumprir com essas novas exigências com eficiência e segurança.

Essa mudança poderá trazer chances de colocar o Brasil à frente das práticas internacionais de gestão fiscal, promovendo maior transparência, eficiência e inovação no cumprimento das obrigações tributárias.

Com isso, é essencial revisar as práticas corporativas, organizar rotinas internas e aproveitar os benefícios de um sistema fiscal mais moderno e confiável para aperfeiçoar a gestão tributária empresarial.

Com informações do InformaMídia

Regulamentação da Inteligência Artificial é aprovada no Senado; veja o que muda

Nesta terça-feira (10) o Plenário do Senado Federal aprovou o marco regulatório para uso da Inteligência Artificial (IA) no Brasil.

O projeto estabelece os princípios fundamentais para o desenvolvimento e uso da IA, definindo que a tecnologia deve ser:

  • Transparente;
  • Segura;
  • Confiável;
  • Ética;
  • Livre de vieses discriminatórios;
  • Deve respeitar os direitos humanos e valores democráticos.

Além disso, conforme o projeto, é também exigido que sejam contemplados o desenvolvimento tecnológico, a inovação e a livre iniciativa e concorrência.

No projeto, fica estabelecido que é proibido o desenvolvimento de alguns tipos de tecnologia de IA que possam causar danos à saúde, à segurança e a outros direitos fundamentais.

O projeto define ainda como sistema de IA de alto risco aqueles que possam causar danos às pessoas ou até para a sociedade, como os de controle de trânsito, redes de abastecimento de água e eletricidade.]

Fica também expresso no texto que são considerados sistemas de alto risco aqueles aplicados na educação e formação profissional para determinar acesso à instituição de ensino ou monitoramento de estudantes, bem como dos sistemas para recrutamento de trabalhadores ou para promoções no emprego.

Sistemas de IA de “repartição de tarefas e controle e avaliação do desempenho e do comportamento das pessoas nas áreas de emprego, gestão de trabalhadores e acesso ao emprego por conta própria” também são considerados de alto risco.

Pode-se ainda citar alguns outros exemplos de risco como aqueles encontrados em sistemas de IA para avaliação de prioridades em serviços públicos essenciais ou aqueles usados pela Justiça para investigação de crimes ou que tenham risco para as liberdades individuais ou ao Estado Democrático de Direito.

Os sistemas na área da saúde, como para auxiliar no diagnóstico e procedimentos médicos, e para o desenvolvimento de veículos autônomos em espaços públicos também são outros exemplos de alto risco listados pelo projeto.

Vale informar que durante o período de tramitação do projeto no Senado, foi retirado o dispositivo que considerava de alto risco os sistemas de IA usados pelas big techs para produção, análise, recomendação e distribuição de conteúdos.

A retirada desse dispositivo, segundo o relator e senador Eduardo Gomes, foi um acordo entre as bancadas para fazer o projeto de lei 2.338 de 2023, de autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, avançar na votação.

Com informações da Agência Senado

Obrigações do MEI como empregador: saiba como funciona o pagamento do 13º salário

No Brasil, o número de Microempreendedores Individuais (MEI) cresce continuamente, mas poucos desses profissionais contratam funcionários com carteira assinada. Aqueles que o fazem precisam estar atentos às obrigações trabalhistas que envolvem a relação de emprego, incluindo o pagamento do décimo terceiro salário.

Contratação de funcionário pelo MEI
A legislação permite que o MEI contrate apenas um funcionário com carteira assinada. Essa contratação, no entanto, impõe responsabilidades ao empreendedor, que deve seguir rigorosamente as leis trabalhistas em vigor.

Entre os direitos assegurados ao empregado estão o décimo terceiro salário, férias remuneradas, recolhimento do FGTS e INSS, entre outros benefícios.

O décimo terceiro salário e os direitos do trabalhador
O funcionário contratado por um MEI tem direito ao décimo terceiro salário, assim como qualquer outro trabalhador regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) . Esse benefício é calculado proporcionalmente ao tempo de serviço prestado no ano-base.

Por exemplo, se o empregado trabalhou pelo menos 15 dias em novembro e outros 15 dias em dezembro, terá direito a receber 2/12 avos do seu salário bruto. Mesmo aqueles que iniciaram suas atividades em dezembro, com ao menos 15 dias de trabalho, têm o direito assegurado.

Caso o empregador deixe de efetuar o pagamento, o funcionário pode buscar um acordo direto com o contratante ou, se necessário, recorrer à Justiça do Trabalho para garantir o recebimento.

Obrigações do MEI como empregador
O MEI é equiparado a qualquer outro empregador em termos de responsabilidades trabalhistas. Isso significa que o não cumprimento de suas obrigações pode gerar penalidades, como multas e processos judiciais.

Além disso, o recolhimento correto do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) é indispensável para a regularidade fiscal e previdenciária do microempreendedor.

Projetos para ampliação da contratação pelo MEI
Embora existam propostas legislativas para permitir que o MEI contrate mais de um funcionário, essas iniciativas ainda não foram aprovadas. Até que haja mudanças na legislação, o limite permanece de um empregado por microempreendedor.

Informações adicionais sobre o décimo terceiro salário

Demissão por justa causa: trabalhadores demitidos por justa causa perdem o direito ao décimo terceiro salário;
Cálculo do benefício: o valor do 13º é baseado no salário bruto do empregado;
Datas de pagamento: caso a data-limite para o pagamento do décimo terceiro caia em um domingo ou feriado, o empregador deve antecipar o depósito. O descumprimento dessa regra pode resultar em multas.
O MEI que decide contratar um funcionário deve estar preparado para cumprir todas as exigências legais, incluindo o pagamento do décimo terceiro salário. O descumprimento dessas obrigações pode gerar consequências financeiras e legais, além de comprometer a credibilidade do microempreendedor.

Já para o trabalhador, é fundamental conhecer os próprios direitos e buscar auxílio em caso de irregularidades.